dúvida

22/08/2011

20110822-123840.jpg

Há verdades, fatos, fé. Quando esta falha, há dúvida. Mesmo que o norte esteja ali, se há dúvida, logo nasce a insegurança e o medo. E aí nem fatos, nem verdades ajudam muito. Tantas conjecturas já foram pensadas que fatos e verdades já existiam antes mesmo de serem.

E em meio a tantas hipóteses e sonhos o que é verdade, agora? Não há como sair da dúvida que a insegurança causou. Ou foi o contrário? Somente a fé torna-se capaz de dar peso suficiente aos fatos e verdades. Ela com seu papel de tornar realidade aquilo que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos.

Pois o que é a realidade se não o que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos? Nossa realidade é toda construída sobre impulsos elétricos gerados por reações químicas. É apenas isso. Somos um punhado de células especializadas que vêem, ouvem, sentem e cheiram o ambiente onde estamos. E nem fazem isso muito bem.

Então qual o ponto? De onde vem a fé? E as emoções?

Ah as emoções… somos programados biologicamente para ter uma descarga hormonal quando algo nos ameaça. Ou quando vemos, ouvimos, sentimos e cheiramos um outro punhado de células especializadas que seja capaz de conosco gerar um punhadinho de células especializadas. Principalmente se esse punhado for bem formado, capaz de gerar um belo punhadinho. Mas essa emoção é apenas a resposta elétrica à descarga de hormônios.

Há, no entanto mais que isso. Ao menos é o que percebe este malformado punhado de células aqui. Há descargas hormonais ou impulsos elétricos gerados por coisas nada úteis para a manutenção desses punhados de células aqui no planeta. Porque há punhados que escrevem, pintam, compõem, fotografam, esculpem, pintam. E outros punhados contemplam.

Essas expressões vêm de descargas hormonais? Por que? De onde? Novamente, qual o ponto?

As lágrimas, o riso, a alegria, a ansiedade que se originam nas linhas da poesia, ou na combinação harmoniosa de freqüências sonoras. É apenas o ar vibrando que gera impulsos elétricos ou a luz refletida que dá forma às letras no papel. Isso acontece o tempo todo no ambiente. Então o que há de especial?

Eu não sei. Mas há algo mais…

novo

13/08/2011

Dahlia

Há muito tempo. Muito tempo mesmo não acontecia. Mas dessa vez era novo e a novidade não passava despercebida. Não havia como controlar o entusiasmo. Sendo assim, cinco dias depois se encontraram.

O encontro foi como todo primeiro encontro. Só que dessa vez o primeiro encontro durou trinta segundos. Depois disso já eram velhos conhecidos e a naturalidade fluiu daí. Brincadeiras de velhos amigos voltaram, afinal há muito não se viam.

Só que não era possível rememorar desde quando. Foi simplesmente um lapso entre o início e aquele momento ali, de naturalidade. Um café era o combinado. Mas o filme surgiu na frente e tomou espaço. Aquele espaço que estava ali, desde sempre. Foi tomado pelo filme e pela ocasião.

Os olhos se olhavam, os corpos se atraíam. Era a primeira vez, mas já há muito tempo. Tudo estava claro e o que não estava tinha a luz logo ali. Ela não tem problemas em deixar tudo claro. Seus negros olhos pediam, a conversa conduzia pela mão. Tal criança titubeando os primeiros passos. Há muito tempo. Muito tempo mesmo!

Uma pergunta; um olhar; a dúvida. Tudo isso não existe. Só existe o todo, que por breve momento foi parcial, já que a outra parte não estava. E esta parte que aqui estava vislumbrava a outra parte ali e o todo se formando.

Até que o todo não pode mais deixar de sê-lo. E assim se fez. O todo inteiro. Não na explosão da fusão, sem limites e desenfreada. Mas na delicadeza do cálculo preciso e necessário, ainda que todo emoção. Aquele toque que nunca sentira, tão delicadamente forte.

O que se segue é apenas o que já havia. Tudo estava ali, só não estava descoberto. Na descoberta o novo se torna velho conhecido. Ela e sua presença tinham a magia do novo com a segurança do velho conhecido. E isso, sim, era novo.

ansiedade

29/07/2011

O momento não passa e voa ao mesmo tempo. Cada instante te arrepia a as fibras. Músculos não se aquietam e você teima em marcar a pulsação de Giant Steps o tempo todo com o calcanhar, só reveza as pernas.

De repente você pensa em tudo o que tem que fazer para atingir o que quer, planeja e se sente tranquilo. Agora você está tranquilo! Curta essa paz. Ela vai durar exatamente uma pulsação da música. Porque antes mesmo do próximo compasso, você estará pensando nas falhas do seu plano. Há muitos pontos fracos para funcionar. Como é que você pensou que algo tão idiota iria funcionar?

Vamos mudar a paisagem, o que fazer? Enfrentar um desafio! Isso, um desafio não relacionado é tudo o que preciso para não pensar. Desafios são… er… desafiantes! Claro! Então voltemos para aquele desafio que você foi deixando de lado quando achou que estava bom. Poderia voltar a ele quando quisesse, mas não precisava ficar bitolado.

Ok, o plano. Ah, o plano!

Não, que plano nada. Vamos desviar a atenção do plano. Ele tem que ser seguido somente quando houver passos. Você deve esperar quando o plano pedir para esperar. Então mude a paisagem, de novo! Tá certo, desafio. Não, desafio não! Então vou retomar outra coisa que deixei de lado. Ah o blog, aquela coisa empoeirada e abandonada. Que bom momento para retomá-lo. Eu tenho até um tema para escrever, claro. Pensei quando estava de férias.

Apesar que esse tema está meio ruim, né? Meio desgastado. Todas as idéias boas das férias se foram junto com a memória que parece não ter retornado das férias. Ah, mas sempre é possível desenvolver um bom tema, para quê preciso das idéias de outrora se tenho as de agora? É isso, vamos ao blog… ver um episódio da série, ouvir aquele CD novo Joss Stone, ah que maravilha. E o novo do Chico, esse é bom! Tem aquele filme, também… vamos ao filme então.

Não, o blog. Que judiação deixar o blog lá parado. Ok, desenvolver o tema. Qualquer tema bom pode ser desenvolvido. Se você tiver concentração, claro… puxa que tema difícil… vamos ao CD da Joss Stone, whisky, sexta, né? Não! O projeto, o plano… blog… sexta… músicas…

Ah é, tem que ter uma foto pra deixar o post bonito…

E agora?

esperar

28/04/2011

Esperando...

Esperar é sentado. Ou de pé, o que é pior. Se bem que o pior mesmo é esperar deitado, pois passa a impressão de que já não se tem esperança na espera. Afinal, quem é que espera pelo que não há esperança?

O ato de esperar não é senão um estado em que não há o que se possa fazer em direção àquilo que se espera. Claro que tentamos matar o tempo da espera, sempre que possível, pois a paciência nos falta e nossa própria companhia nos assusta. Não que seja regra ou até é, já que toda tem sua exceção, mas quando esperamos é porque julgamos que não há o que possa ser feito para atingir o que se espera. Só resta ver o vento ventar, a chuva chover, a noite anoitecer, o dia diar…

Esperar nos incomoda. Se esperamos por alguma coisa boa, ficamos ansiosos por aquilo. Se esperamos por alguma coisa ruim, ficamos receosos daquilo. Imaginamos tudo como seria quando aquilo vier. Esperamos o inevitável e até ele nos incomoda.

No esperar por algo ruim há vezes em que temos tanta certeza de que esse algo ruim virá, que não há o que fazer além de esperar, mesmo. Vemos a imagem, ouvimos o som, toda a paisagem se forma na nossa mente e tentamos viver aquilo, para quando acontecer estarmos preparados. Oito meses de espera num hospital cria muito o que esperar e por mais que se espere… que se crie a paisagem. Que se tome ações em antecipação. Quando o que se espera finalmente chega. Não estamos preparados e não sabemos que ação tomar direito.

A maior angústia, no entanto, é quando não se sabe o que esperar. Ou quando tentamos acreditar que não sabemos o que esperamos. A esperança está sempre lá e essa, sim, espera o melhor sempre. Mas a realidade tantas vezes nos mostra que não há ponto em esperar o que queremos. Se o que chega tem vida própria e se mostra como quiser e quando quiser.

reconhecimento

15/04/2011

Olhar

Quando a gente olha e vê aquele sorriso caloroso. Aquele gesto que sempre nos acolheu. A expressão característica. O sotaque que nos faz sentir em casa. O cheiro. O toque preciso.

Bom mesmo é reconhecer os detalhes dos conhecidos em meio aos desconhecidos…

…e no meio de tanta gente eu reencontrei você. Você que é um velho querido. Que me lembra de casa. É isso: com você estou em casa. E em casa estou à vontade.

Cada um dos seus trejeitos me traz uma lembrança e cada lembrança um sentimento. Aconchegante como colo de mãe. No olhar um abrigo.

O mesmo calor vem também ao ser o objeto do reconhecimento. O exemplo que você nunca pensou em dar. O professor que sequer imaginou ser. O amigo que descobriu em doces palavras. Essas responsabilidades, enfim, que você negligenciou por pura ignorância. Como saberia que as carregava? Bom mesmo é saber que apesar da negligência houve. E foi reconhecido.

felicidade

10/03/2011

A coisa mais subjetiva do mundo. Só quem sente sabe o que é, naquele momento, sentir.

Não há como explicar o sentimento e tampouco as causas. Quando vem, inunda a alma, deixa o dia bonito, tudo o que acontece tem cor. Qualquer fato menos relevante é motivo de júbilo.

Ela pode aparecer de repente ou já ser esperada, de certa forma. De repente você encontra um amigo de infância. Você já espera o dia em que seu filho vai nascer. Não é a surpresa que a torna mais ou menos forte. Nem o tamanho causa. O que dá a dimensão não tem explicação, assim como o sentimento não a tem.

Hoje eu estou feliz! Inesperadamente. E a causa é tão simples… mas a felicidade não tem tamanho.

dissolução

02/02/2011

A música acaba. É o fim ou é o canto que morreu?
O canto morre. É a morte ou é a vontade que cessou?
A vontade cessa. Ou a coragem foge?
O medo acua. O orgulho se levanta.
Eis o derradeiro acorde.
Dissonante, não tônico.
Ressoa até doer, não resolve.
Me dá o violão!
E o alívio do gozo…

vocação

17/01/2011

Será que é possível ser feliz fazendo o que se gosta? Se eu fosse um universo fechado em mim mesmo, diria que sim. Minha percepção um pouco mais abrangente já não é a mesma. Quando falo em fazer, estou me referindo em fazer para ganhar dinheiro, para ter um meio de sustento.

Em conversas com amigos e conhecidos acabei percebendo que esta é uma questão muito mais recorrente do que imaginava. São muitos os que sofrem por não conseguirem trabalhar no que gostam. Outros tantos não sabem do que gostam.

Eu tenho a sorte de saber muito bem do que eu gosto. Tenho, ainda, uma maior sorte por trabalhar com o que gosto. Não sei se trabalho no que mais gosto, mas também não sei se sei ordenar as coisas de que mais gosto. Vendo desta maneira, até eu que me considero bem decidido, não sou tão direto.

“Fazer o que gosta” não é uma definição fácil. Algumas pessoas começam fazendo o que gostam na faculdade. Estudam jornalismo, geografia, história, música. Depois o mercado de trabalho se mostra hostil, não há muitas vagas naquelas áreas específicas dentro desses grandes grupos de conhecimento. Acabam trabalhando dentro do que foram formados, mas em subáreas que são consideradas chatas. A necessidade acaba levando as pessoas a trabalharem nestes lugares pouco agradáveis e se tornam infelizes fazendo o que supostamente gostam.

Você acha seu trabalho monótono?

Você acha seu trabalho monótono?

Daí vêm os questionamentos: devemos procurar fazer o que gostamos para ser felizes? Este fazer o que gosta deve ser realmente o que nos dá sustento? Só seremos felizes se fizermos o que gostamos na maior parte do tempo?

No meu ponto atual de observação, começo a achar um pouco ingênua a afirmação “faça aquilo que gosta e não terá de trabalhar um único dia na sua vida”. Quantos fazemos o que gostamos e temos a sensação clara de que trabalhamos muito, sim. E estou falando de mim, empresários, músicos, poetas, engenheiros, confeiteiros, artistas plásticos, atletas. Trabalho é transpiração, como já disseram, mesmo nas atividades criativas. Para um resultado legal, que nos traz a sensação de realização e nos faz gostar do que fazemos, comumente há muitas etapas mais desagradáveis por onde precisamos passar. Estas etapas representam a transpiração.

Por mais que eu ame o que eu faço, há muitas pequenas tarefas necessárias que não são nem remotamente divertidas. Mas quanto mais eu faço o que preciso e o resultado fica mais próximo, mais recompensadoras estas tarefas me parecem. Assim elas deixam de ser chatas.

Com as dificuldades que vejo em certas profissões ou áreas, talvez o caminho seja ver as realizações e ter alegrias em conquistas isoladas dentro do trabalho do dia à dia. No final das contas, mesmo fazendo o que gosto, é assim que acaba acontecendo comigo e, creio, com tantos outros. Não estou dizendo que não devemos procurar fazer o que gostamos. Devemos. Mas estas pequenas buscas de conquistas são igualmente importantes.

amigo

20/12/2010

Eu consegui! Não acredito! Pois é, agora foi. Olha só, parabéns. Valeu… oito anos e meio, né? E esse último foi difícil. Foi sim. Parabéns! Valeu, mesmo, por tudo.

Cara, eu tô mal. Que pegou? Foi ela. Sério? É. E aí? Vai lá comigo? Bora! …e agora? Vai ficar tudo bem.

Puxa, muito bom estar aqui. Que isso, é um prazer! Valeu mesmo. Eu que me sinto honrado com sua presença… você nunca vai saber…

irreversível

30/11/2010

Fazendo hamburguer

Quantas vezes ignoramos que uma decisão qualquer pode se tornar permanente, simplesmente por não ter volta. Certa vez, enquanto procurava um programa que pudesse gerar código C (a linguagem de programação) a partir de um executável (o descompilador de C, para os computeiros), li a frase “você pode transformar uma vaca em um hambúrguer, mas não pode fazer o hambúrguer voltar a ser uma vaca”, exemplificando porque não era possível fazer o que eu queria.

Muitas coisas que fazemos na vida são como o hambúrguer: não podemos ter a vaquinha que nos dava leite todos os dias de volta, mas ainda assim acabamos matando a vaca e fritando o hambúrguer por passar algumas horas de fome. Fome que, na verdade, era só vontade de comer, a maioria de nós não sabe o que é fome.

O imediatismo que nos obscura o raciocínio pode resultar em um hambúrguer cru demais e na perda do resto da carne, se não temos fome suficiente ou capacidade para armazenar corretamente esta carne. Isso acontece ainda que sejam dedicadas horas ou dias de reflexão para uma tomada de decisão. O imediatismo não significa apenas decidir rápido, mas o horizonte no qual se pauta a decisão.

E não só decisões drásticas, dessas que mudam a vida, são irreversíveis. Nossas palavras também podem trazer muitos pregos que vão marcar para sempre a tábua e de nada vai servir arrancá-los, pois a tábua vai, para sempre, apresentar as cicatrizes. Talvez utilizando técnicas mais avançadas de marcenaria, possamos fazer uma massa de madeira e cobrir os furos, mas a tábua jamais será a mesma.

Não acho que a saída seja a covardia ou a omissão, acredito na ampliação dos horizontes ao ponderar sobre uma decisão mais dramática e na avaliação da maneira como falamos com as pessoas.