Olavo "Bin Lata"

Bin Lata, por John

Nascido a 15 de agosto de 1968 em Tauá, no interior do Ceará, Olavo, conhecido por Bin Lata é um artista. Sua arte tem como principal matéria-prima a lata de cerveja e refrigerente, em geral, de alumínio.

Em questão de 45 segundos, ele é capaz de sacar uma lata e uma tesoura da bolsa e confeccionar, diante dos seus olhos, um cinzeiro todo trabalhado. Só que ele não para por aí. Apontou para a fruteira que estava no balcão da barraca e mais tarde nos mostrou um calango enorme, na balada “Mama Africa”. Mas este tipo de habilidade manual é uma coisa que vemos bastante por aí, nas praças, nas praias, nas ruas.

Bin Lata é diferente pelo olhar. Pela conversa. Já andei por 20 estados. Mas você vai com algum objetivo? Vou com a cara e a coragem. Vou andando e absorvendo o que posso. Aproveita as coisas boas, né? Não, aproveito tudo, o bom, o ruim, tudo é válido.

Dizem que, em geral, se encontra o Bin Lata em um traje de lata, este da foto. Traje que não tive oportunidade de ver ao vivo, mas segundo ele, já está precisando de uma renovação. Pena não lembrar da expressão exata que usou. Foi bem mais interessante.

Segundo ele, é possível tocar um outro ser humano de diversas maneiras. É claro que ele sabe que com sua arte é uma delas. Mas seu olhar penetrante e sua conversa profunda são outras formas muito efetivas. Você pode conseguir o sorriso de uma pessoa apenas com o olhar, é fácil. Eu me emociono, estou emocionado de conversar com vocês agora. Nesta hora seu olhar se tornou mais penetrante, seus olhos brilharam e arrancou lágrimas da Cocó, que estava comigo.

O cinzeiro, a Cocó comprou. Mas ele fez questão de a presentear com um cinto que estava fazendo desde a hora que chegou e se sentou ao nosso lado, utilizando apenas o anel que abre a lata. Terminou ali na hora, mesmo após o protesto da Cocó que disse que o encontraria outra hora. “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, citou.

fotos

14/10/2010

Aqui estão as primeiras fotos de Jeri. :)

Jeri

Update: agora já estão todas. :)

homenagem

13/10/2010

Este é em homenagem ao Renato. ;)

Em Jeri

Em Jeri

Dona Eneide

13/10/2010

Vovó no avião - não é a Dona Eneide

Vovó no avião - não é a Dona Eneide

Uma senhora simpática, 67 anos. Lendo um livro de algum padre que não me recordo. A conversa começou por conta da aeromoça que nos apresentavas as opções: batata chips, amendoim, biscoito integral e goiabinha. Quero três, para levar para os meus netinhos.

Assim começou a conversa, que logo revelou o motivo da viagem: vim visitar meu filho e meus netos em Vinhedo. O que o filho da senhora faz em Vinhedo? Nada. Ele é prático em Manaus. Ahn!? Prático. A pessoa que manobra e conduz barcos em pequenas distâncias. Passa 20 dias lá, 10 dias aqui.

O filho dela é casado com uma dona de casa. Patrícia. Tem dois filhos, na fase de prestar vestibular. Ela conta como incentivou o neto e o outro filho, quando ainda estava nessa fase. A gente estudava junto, eu perguntava as questões de história, que ele tinha mais dificuldade. Ele acabou entrando em computação. Eu entrei em enfermaria. Meu marido não me deixava fazer essas coisas. Ele que cuidava da casa. Mas aí fui fazer.

O seu pai sempre lhe ensinou que se só estudava, essa era sua profissão. Portanto esta profissão precisava ser bem exercida. Nunca tirei menos que 7, só uma vez e fiquei de recuperação. Ela se separou do marido. Passou por um período difícil. Uma espécie de depressão, mas se reencontrou em terapia e grupo de orações. Estava explicado o livro.

Meu filho agora mora nos Estados Unidos. Trabalha num banco, mas queria ir morar em Madri. Adorou a Espanha e o flamenco. Fala português, claro, inglês, francês e está aprendendo espanhol. Adora música, gosta de ensinar. Queria fazer composição e regência, mas o aconselharam a fazer uma pós-graduação nesta área e não uma nova graduação, desde que não parasse os estudos.

Lá pelas tantas, me contou do pão que levava três dias para ser feito. Faço sem fermento, com um soro. Uma colher de sal, quatro de açucar e quatro de farinha. Leva 24 horas para essa primeira fase, depois mais 24 horas após a massa pronta. Depois mais 12 horas após o pão enrolado. Paciência.

Ela tem uma artrite no joelho, desce as escadas com dificuldade, pois a rolante está com problemas. Ajudei-a com a bagagem e depois ela ligou para o genro, que é moto-taxi vir buscá-la.

Júnior

12/10/2010

Júnior tem 13 anos. Sua estatura é bem inferior à média da sua idade. Provavelmente não teve a nutrição adequada para se desenvolver normalmente. Ele está na calçada de um hotel de luxo de Fortaleza. Todos os turistas que entram ali, parecem gringos. Está preparando sua tábua de badulaques para vender no calçadão da orla, tudo chinês, com cores fluorescentes e luzes que piscam. Nada tem alguma utilidade, alguns fazem barulho ao balançar, batendo. Uma mistura de matraca com aquelas garras mecânicas que serviam para alcançar alguma coisa mais longe e vendiam quando eu era criança.

Me ofereceu os produtos timidamente. Ao que perguntei os valores. De R$ 5 a R$ 10. Não quero, obrigado. Mas você vende muito disso? Mais ou menos.

Mesmo assim foi solícito, perguntou se eu estava esperando o ônibus, que eu estava. Foi no meio da rua para ver os ônibus que vinham pela avenida. Perguntou de onde eu vim, para onde vou. Pediu ajuda a uma senhora que estava perto, esta se prontificou em avisar quando o ônibus estivesse chegando. Me mostrou como enchem àquelas bolas de borracha peludas. Tem um couro que não deixa o ar sair! Permite sejam enchidas com uma agulha de injeção acoplada a uma bomba de ar, essa borracha espessa não deixa o ar sair.

Ao terminar, se despediu cordialmente e parou no calçadão chacoalhando sua matraca-garra. Meu ônibus chegou.

Calçadão de Fortaleza

Calçadão de Fortaleza

começou

11/10/2010

A viagem começou, galera. E eu, xarope que sou, criei o blog enquanto esperava o voo (não tem mais acento, isso?) no aeroporto de Turn Glasses, Campinas. :)

Como está escrito na página sobre, aqui é só o começo. Vou falar da viagem, hoje mais à noite farei um post com detalhes do que já aconteceu. O dia começou interessante!

Agora vou ver se aproveito que estou no Ceará e vou tentar descobrir o que eu tenho de bom pra fazer nas próximas 4h enquanto espero o horário do ônibus/jardineira/disco-voador para Jeri.